terça-feira, 22 de maio de 2012

Notas do autor- 018


Yo mina! Cá estou outra vez. Mais um capítulo postado com exito. Se eu pudesse dar uma nota de 0 a 10 a esse capítulo, daria um 9. Não tivemos muita ação, e nem chegamos na Ilha Mandarin do Norte (assim como eu planejava), mas apresentei fatos um tanto quanto importantes. Começamos com o nascimento do mais novo membro da equipe que é um... Psyduck!

Creio eu que grande parte dos leitores vai querer me matar. Demorei um tempão até que o ovo nascesse, e agora vem um Psyduck. Falta de criatividade? Não. Falta de achar outro Pokémon? Também não. Admito, no inicio eu colocaria outro Pokémon, mas deixei esse para o futuro. Admito que o Psyduck não é um Pokémon muito bom (no início), mas já adianto: ele fará parte da equipe principal da Lúcia, sendo o aquático mais forte dentre todos dos protagonistas. Quanto a personalidade dele... Creio que não existam Psyducks agitados e até mesmo espertos *risos* Ele não é muito diferente daquele Psyduck da Misty, mas acreditem, o nosso pequeno e confuso patinho feio ainda virá a se tornar um lindo e poderoso Ganso (preciso melhorar as minhas comparações).

Aaah! Eu não poderia deixar de falar da nova personagem da fic, a lindinha da Jasmine! Essa ruivinha tem uma personalidade bem peculiar, né não? E como observado nos comentários, ela parece com a Wendy, do anime Fairy Tail. Sim, eu me inspirei nela para fazer essa personagem. Sei que eu poderia ter colocado alguém mais séria, mais sexy, mais engraçada, mais durona... Mas pensei em fazer um "diferencial" para a nova rival do Ryan. Mesmo com esse aparente jeitinho frágil da Jasmine, não a julguem ainda. Ela vai se mostrar muito forte durante o contest.

Bem, no próximo capítulo teremos a chega na Ilha Mandarin do Norte. O contest já está quase chegando, e com ele virão surpresas incríveis! Preparem-se para a apresentação de mais um personagem muito importante para a história... Só posso dar uma dica: o Ryan vai pirar quando ver esse personagem!
Por enquanto é só pessoal. Deixo informado desde já que o Trainer Card da Lúcia será atualizado na quinta-feira sem falta, assim como sua equipe de Pokémons e de Ryan também. A biografia da Jasmine já está em andamento, então quando eu atualizar tudo, deixo um aviso. Até mais! Não esqueçam de votar na enquete. See ya.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Capítulo 018- Surpresas a caminho!

A manhã não parecia muito animadora. Uma pequena quantidade de nevoa cobria as redondezas da Ilha Sunburst. O tempo por ali não se mostrava dos melhores. As plantas estavam cobertas por diversas gotículas de água, graças à garoa que caiu durante a noite. Os Pokémons das redondezas não pareciam nem um pouco dispostos a mostrar-se. Grupos de Oddish escondiam-se entre os arbustos da floresta, tentando aquecer-se. Nos galhos das árvores, os ninhos estavam abarrotados de Pidgeys que quase não cabiam ali.

No meio da nevoa uma silhueta feminina se revelava. Uma garota loira que tremia de frio. Seu Kigurumi assemelhado a uma ave marrom estava parcialmente molhado e pesado. Lúcia havia se perdido mais uma vez durante a noite, tudo isso graças a Gengar que voltara a casa abandonada. A moça não conseguia se orientar direito na escuridão, e num momento de desespero, passou a noite ao relento debaixo de uma árvore. Osíris revelou-se muito fiel, ficando ao lado da treinadora durante todo o tempo. Após as revelações na velha casa, ambos pareciam ter começado a se entender melhor.

     -Osíris, da próxima vez que fizer isso de novo, juro que não sigo você! –Balbuciou a loira, olhando para o Pokémon com preguiça.

    -Gar. - Respondeu o fantasma, em seguida caindo na gargalhada.

Os dois deram um rápido sorriso, continuando a caminhar pela estrada. A visão era um pouco atrapalhada, mas com um pouco de esforço conseguiram reencontrar a Sunburst Town. Poucas pessoas circulavam pelas ruas, as quais mostravam-se desanimadas. Lúcia passava quase despercebida por eles, que não davam atenção a sua pessoa.

A loira tentava ser discreta, já que sua aparência naquele momento não era das melhores. Osíris por sua vez assustava qualquer um que o olhasse demais e em seguida gargalhava com suas reações. A moça às vezes o repreendia com baixos sermões, que não adiantavam muito. Toda aquela tristeza e isolamento por parte de Gengar pareciam ter sumido durante a noite... O fantasma parecia disposto a abrir os braços para um novo futuro, uma nova história.

Não demorou para que achassem novamente o Centro Pokémon, que era a única construção vistosa em toda a vila. A moça adentrou de modo normal, até perceber que na recepção alguns treinadores se concentravam. Seu rosto ficou tão vermelho quanto um pimentão, e timidamente começou a subir as escadas. Os olhares foram direcionados a ela, que chamava a atenção por sua vestimenta e as condições momentâneas. Osíris não segurava a risada, achando muita graça de tudo aquilo.

    -Nunca mais faço uma coisa dessas... Dá próxima, chamo a Julia, assim a situação ameniza. –Balbuciou ela, tentando esconder o rosto com as mãos.

Subiu rapidamente para o segundo andar, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Andava nas pontas dos pés, e abriu a porta com cautela. Antes que pudesse adentrar o quarto, ouviu um ranger passageiro e observou um dos cômodos ao lado. Helena estava lá. Encostada na parede, observando a garota com um riso sínico no rosto.

     -Onde esteve na noite passada? Vi você sair às pressas... Por acaso houve uma fuga das galinhas? Você e seus Kigurumis sempre tão infantis... –Debochava a rival de modo provocativo.

    -Para a sua informação eu estava... Ah não é da sua conta! –Retrucou ríspida, batendo a porta em seguida.

Lúcia resmungava com fúria dentro do quarto, batendo o pé com força no chão e socando o ar. Gengar sentou-se na cama, sendo retornado para a Pokeball em seguida. A moça começou a arrumar suas coisas, recolheu algumas roupas que estavam jogadas no chão, o pergaminho e outros pertences. Enquanto colocava tudo na bolsa, levou um susto. Percebeu que dessa vez algo a mais faltava: ovo que ganhou em Valencia.

O desespero tomou conta de si novamente. Como se já não bastasse um Gengar fujão, agora o ovo havia sumido também. A loira começou a procurar pelo quarto, mas infelizmente não achou nada. Por um instante lembrou-se de sua amiga Julia. A mesma mostrava-se muito interessada no filhote que viria a nascer, e Lúcia pensou na possibilidade da amiga ter entrado no quarto durante a noite e ter pegado o ovo.

     -O ovo deve estar com ela... Não vou me preocupar... –Dizia um pouco tensa, ainda em duvida quanto ao paradeiro do filhote que carregava. –Um banho! Isso! Um banho vai me deixar relaxada.

Lúcia pegou uma toalha branca e seguiu para o banheiro. Entrou e tirou seu Kigurumi molhado, deixando-o dentro da pia. Ligou a torneira e encheu a banheira com água bem quente. Um pouco de fumaça formou-se ali, e quando entrou em contato com o vidro gelado, deixou-o embaçado. A moça tocou de leve a superfície da água, sentindo que estava na temperatura ideal.

     -Perfeito... É disso que eu preciso!

Lúcia entrou na banheira, afundando-se na água morna e relaxante. Fechou os olhos e relaxou, olhando para o teto. Tudo parecia correr bem, ela esquecia aos poucos de alguns de seus problemas, quando de repente ouviu paços desengonçados dentro do banheiro. Assustada, olhou em volta. Não encontrou nada, apenas percebeu que a porta havia sido aberta. Receosa mexeu-se na banheira, mas acabou pensando que tinha sido o vento.

Continuou com seu banho matinal relaxante. Devagar mexia a água com as mãos, para se distrair mais ainda. Sentiu algumas bolhas se formarem na banheira, o que era estranho. A moça retesou seu corpo para trás, observando um estranho movimento que ocorria a frente. Um pequeno ser amarelo ergueu-se na superfície, gritando desesperado, como se estivesse se afogando. Lúcia levou um grande susto, e pulou para fora da banheira, cobrindo-se com a toalha.

     -Que diabos é isso? Seu tarado! –Gritava ela envergonhada. –Espere ai...

A moça percebeu que aquilo não passava de um Pokémon curioso. O pequeno ser amarelo parecia se afogar na banheira, e só então a treinadora agarrou-o, tirando de lá e depositando-o gentilmente no chão. Ainda estava um pouco assustada por causa de toda a agitação.

     -V- Você... Me assustou amiguinho... Não faça mais isso.

A treinadora sorriu e observou melhor a criatura que a assustara. Um pequeno ornitorrinco amarelo, com um olhar disperso. Sua expressão era de distração, como se estivesse pensando em algo que não se situava ali. Suas penas eram amarelas e no topo de sua cabeça haviam três pequenos tufos de “pelo” preto. Um bico longo e “garras” em vez de asas. Mas havia algo de incomum no pequeno. Uma proteção de vidro cilíndrica rodeava sua cintura, como se estivesse prendendo-o. E aquela peça lhe era muito familiar...

     -Não posso acreditar... Quer dizer... Essa proteção cilíndrica estava no ovo e... VOCÊ É O OVO! QUER DIZER, VOCÊ CHOCOU! UM PSYDUCK! MEU ARCEUS! –Disse a garota surpresa.

Lúcia ajoelhou-se com cuidado, esticando suas mãos na direção de Psyduck. O ornitorrinco amarelo apenas acompanhou seus movimentos com o olhar. A moça delicadamente começou a puxar a proteção de vidro para cima, tentando tira-la. Com um pouco de esforço conseguiu. Lúcia ainda observava a criatura surpresa. Não esperava que o ovo chocasse tão rápido, e nem que dele nascesse um Pokémon tão... Peculiar.

     -Oi pequeno... –Balbuciava ela, tentando se apresentar. –Eu sou Lúcia, sua treinadora... Fui eu quem cuidou de você enquanto ainda era um ovinho bem pequenininho. É um grande prazer conhecê-lo... Desculpe pelo mau jeito.

Psyduck apenas a observou. Ambos se fitaram por longos quinze segundos, até que o ornitorrinco correu desengonçado para os braços de sua treinadora. O patinho feio parecia muito feliz agora. A moça ainda não sabia, mas Psyduck a via como uma mãe. Talvez seus cabelos loiros lembram-se as penas de uma Psyduck mais velha. Lúcia o acolhia com carinho, mesmo que não parecesse muito contente.

     -Espere ai... Te procurei por todo o quarto, mas não achei. Onde tinha se escondido? –Indagou ela curiosa.

Psyduck demorou um pouco para processar todas as informações em sua cabeça confusa, até que entendeu e saiu do banheiro. A garota apenas o seguiu. O ornitorrinco apontou para debaixo da cama, onde estava também a tampa arredondada que protegia o ovo anteriormente. Lúcia deu uma pequena risada, imaginando o sufoco pelo qual Psyduck havia passado.

     -Vamos pequeno... Preciso mostrar-lhe aos meus amigos! –Empolgou-se ela, pensando em como todos reagiriam.

Lúcia trocou de roupa, arrumou tudo novamente e com Psyduck em seus braços saiu do quarto. Todos os outros já tinham deixados seus aposentos, e arrumadeiras começavam seu trabalho. A loira desceu para o primeiro andar, encontrado seus amigos na recepção, sentados e conversando. Julia lhe direcionou um sorriso radiante, e em seguida estagnou surpresa em ver o que a amiga tinha em seus braços.

     -Nossa! Lú-chan! Onde é que conseguiu essa coisinha mais Kawaii? –Indagou à aspirante a pesquisadora, fazendo voz de criança e algumas caretas amigáveis.

     -Esse carinha aqui nasceu do ovo que a tia Ivy me deu... Acho que foi... Durante a noite. Encontrei-o na banheira enquanto tomava banho e... Melhor deixar certos detalhes para lá. –Contou a treinadora, sorrindo sem jeito.

    -Ele é a sua cara Lúcia... Tem cara de idiota. –Debochou Helena rindo em seguida.

    -Você é uma indecente Helena... –Balbuciou Julia irritada.

    -Não fiquem irritados, a Helena tem esse jeitão dela, mas no fundo no fundo é boa pessoa. –Disse Marcos, tentando amenizar o clima.

    -Então gente, vamos? O contest na Ilha Mandarin do Norte começa essa tarde. –Disse Ryan empolgado.

    -Simbora cambada! Vem Marcos-kun, vamos ficar lado a lado o tempo todo! –Completou Julia, abraçando o rapaz de lado.

Juntos os cinco deixaram o Centro Pokémon. O clima do lado de fora continuava desagradável. A neblina parecia ficar mais densa, o que viria a incomodar ainda mais no resto do dia. O porto não ficava muito distante dali. Os jovens se apressaram, com medo de perder a balsa, que passava pela ilha apenas duas vezes ao dia. Uma pela manhã, e outra ao entardecer. Para a sorte do grupo, a balsa da manhã acabava de chegar.

Algumas pessoas embarcavam naquele momento, assim como os jovens fizeram. A balsa era espaçosa e quase vazia, assim teria mais oportunidades para momentos descontraídos. Lúcia ficou próxima das grades, com o pequeno Psyduck em seu colo. O ornitorrinco parecia curioso, mas ao mesmo tempo muito distraído. A moça mostrava-lhe as águas e dizia a ele como o mar era incrível. O pequeno parecia ter um pouco de vontade de poder nadar, mas era tão atrapalhado que poderia se afogar.
Num dos cantos da balsa, Julia imitava uma épica cena de um filme conhecido como Titanic ao lado de Marcos. A moça estava com os braços abertos e olhos fechados, dizendo com um tom apaixonado:

     -Oh meu amor! Meu gato Marcos! A metade do meu abacate! Ficaremos juntos pela eternidade... Amore mio!

    -Heheh... Você é uma figura Julia. –Respondeu ele, entrando na “brincadeira”.

Helena permanecia quieta e séria, e Ryan ao seu lado. O rapaz tentava ser simpático e puxava conversa, mas a morena tinha poucas palavras e o fazia ficar sem graça rapidamente. Pelo jeito a manhã navegando passaria tranqüila. A Ilha Mandarin do Norte ficava um pouco distante, por isso seria preciso paciência. Mais ou menos uma hora na balsa.

Enquanto navegavam, Lúcia decidiu se sentar. Aproveitou a oportunidade para liberar Pichu e seus outros dois companheiros. Apresentou o novato Psyduck para a equipe, e o mesmo foi muito bem recebido. Gengar aproveitou para melhor se enturmar, sendo que agora já interagia melhor com Pichu e Primeape. Naquele momento de distração, Lúcia nem percebeu que Psyduck havia começado a explorar o convés. O ornitorrinco andava com as mãos na cabeça, tentando entender tudo aquilo a sua volta. Mas ainda era pequeno e inexperiente, por isso perdeu-se facilmente.

Agora Psyduck mudava sua expressão de distração para algo desesperado. Olhava em volta, vendo muitos desconhecidos e nenhum que se parecesse com Lúcia. O ornitorrinco começou a correr desesperado, indo pelo lado oposto em que estava sua treinadora. Lágrimas formavam-se em seus olhos. Psyduck acabou trombando nas pernas de uma garota, e foi ao chão. A garota também caiu, já que no exato momento estava a caminhar.

Era uma garota de aproximadamente doze anos de idade. Pele alva, cabelos longos, lisos e ruivos. Olhos vermelhos e expressivos. Usava um vestido branco com algumas listras creme na lateral. Carregava uma mochila nas costas, e esta tinha a forma de um Teddiursa. Em seu pescoço havia um pequeno colocar, e um pingente em forma de pena prateada.


    -S- S-Su... Sumimasen! –Gritou a garotinha ruiva, começando a chorar em seguida.

    -Psy- Psy! –Continuou Psyduck, que agora também estava aos prantos.

Com toda aquela confusão, Lúcia percebeu a ausência de seu novo Pokémon. Logo previu o pior. Retornou seus parceiros e saiu correndo, indo em direção de um pequeno aglomera mento de pessoas. Abriu caminho as pressas, vendo que ali estava Psyduck e a garota ruiva. Ambos choravam muito, mas não se sabia muito bem o motivo.

    -Oh meu Arceus! O que aconteceu aqui? –Perguntava a garota assustada, enquanto pegava Psyduck no colo. –Com licença mocinha... Meu Psyduck fez alguma coisa?

     -Sumimasen! Sumimasen! –Repetia a ruiva ainda caída, e fazendo uma reverencia. –Não queria causa transtornos! SUMIMASEN!

A garota ruiva parecia desesperada, como se tivesse causado algo maior e mais preocupante. Chorava desesperadamente, e repetira a palavra “Sumimasen” seguidas vezes. Lúcia tentava acalmá-la, mas não conseguia. Seus amigos logo foram até lá, o que só causou mais indagações. Depois de alguns minutos de desespero, Ryan conseguiu fazer a garotinha ruiva parar de chorar. Guiou-a até um local onde se assentou. Ofereceu-lhe um lenço, e depois que a mesma limpou suas lágrimas o coordenador calmamente perguntou:

    -O que aconteceu? Você se machucou? Psyduck causou alguma confusão? –Quando terminou de falar, a primeira reação da garota foi um rápido soluço. Lágrimas novamente tomaram seu rosto. –E- Ei... Acalme-se. Pode nos contar.

   -Eu... Eu... Só consigo atrair confusão. Eu estava andando pelo barco quando... Tropecei... E o coitadinho deve ter se machucado... Sou um amuleto de má sorte! –Contava a ruiva de cabeça baixa. –Sumimasen! Sumimasen! Não queria causar transtorno.

     -Está tudo bem. Psyduck não se machucou, e vejo que você também não. Sem preocupações. Pode se acalmar. –Sorriu Lúcia amigavelmente. –A propósito, me chamo Lúcia. E esses são meus amigos. Aquela loirinha ali é a Julia, esse o Marcos, ele é o Ryan e essa outra você pode chamar de vaca.

    -Quis dizer Helena... Eu me chamo Helena. –Corrigiu a morena com um olhar mortal direcionado a Lúcia.

    -M- Muito prazer. Me chamo Jasmine Mesut. –Apresentou-se de modo tímido. –Desculpem se causei alguma confusão... Mas é que... Eu sou um pouco distraída e desastrada.

    -Não se incomode. Está tudo bem. Aliás, não causou transtorno nenhum, muito menos confusão. Pelo contrário. Nos proporcionou um momento bem divertido. –Riu Marcos.

    -S- Sério? –Indagou surpresa. Novamente, seus olhos avermelhados tornaram-se marejados.

    -Own! Olha só como a Jasmine-chan é Kawaii! Podemos ficar com ela? Vai deixa Lúcia! Prometo que cuido bem dela! Ryan, fala com ela! –Pedia Julia com os olhos brilhantes.

    -Então Jasmine, você é uma treinadora? –Perguntou Helena educadamente, tentando algo mais descontraído para que a ruiva não ficasse com medo de seus companheiros.

   -Eu sou uma coordenadora. Estava indo para a Ilha Mandarin do Norte. Participarei da competição. –Contou ela com um sorriso tímido em seu rosto bonito.

    -Que coincidência! –Exclamou Marcos. –Eu e o Ryan também somos coordenadores e estamos indo para lá! Por que não nos acompanha? Vai ser divertido! Ter mais um no grupo não é má ideia.

    -Ir com vocês? Mas... E se eu causar algum problema? –Perguntou Jasmine receosa.

    -Aaah nós somos a trupe do problema linda! Não se preocupe. –Respondeu Julia sorridente.

    -T- Tudo bem então...

Jasmine sorriu e se levantou, acompanhando os jovens até o outro lado da balsa. Na metade do caminho, a ruiva acabou tropeçando em seus próprios pés e caindo em cima de Lúcia. Em conseqüência, o pobre e confuso Psyduck foi esmagado pela treinadora, que ainda o levava no colo. Julia e Marcos as ajudaram a se levantar, mas a garotinha ruiva desencadeou mais uma sequencia de choro.

    -Semimasen! Causei confusão outra vez! Semimasen! Semimasen! –Choramingava Jasmine, curvando-se em direção de Lúcia.

    -Kawaii! –Gritou Julia, observando a inocência da ruiva.

    -E- Está tudo bem! Calma, calma! –Pedia Lúcia tentando amenizar a situação. As poucas pessoas que haviam na balsa olhavam para eles. A treinadora ficava constrangida com a situação que se estabelecia. –Vish! Já vi que vai ser difícil fazer essa garota parar de chorar e... Espera! Jasmine, você gosta de batalhas?

    -B- Batalhas? Um pouco... Sou melhor com apresentações. –Contou, enxugando suas lágrimas. Mal percebia ela que Lúcia fazia de tudo para distrair sua atenção.


    -Quer batalhar comigo? Digo assim nos distraímos um pouco e esquecemos de todo esse... Transtorno. –Disse a loira sorrindo.

    -Tudo bem. Acho que não tem problemas e uma batalha rápida. –Respondeu com um tom inseguro.
Lúcia explicou como a tal batalha ocorreria. As duas posicionaram-se num canto mais espaçoso na balsa. Usariam apenas um Pokémon. A loira pretendia manter Jasmine ocupada, distraída na verdade, para que assim não começasse a lamentar por tê-la derrubado e tudo mais. A ruiva era um pouco desastrada, e achava que tudo o que fazia acabava atrapalhando ou chateando os que estavam a sua volta. Lúcia deixou Psyduck com Julia, que apertava as bochechas do ornitorrinco repetindo inúmeras vezes à palavra “Kawaii”. Marcos ofereceu-se para ser o juiz da partida.

     -A batalha será de um contra um. Quando sentirem-se preparadas, comecem. –Confirmou Marcos.

    -Tudo bem! Osíris eu escolho você! –Disse Lúcia, lançando para o alto a esfera bicolor.

O fantasma apareceu novamente na balsa. Sua presença parecia causar calafrios nas pessoas que assistiam de longe. Mesmo estando exposto a luz do sol, Gengar era muito poderoso. Jasmine procurava em sua bolsa por uma Pokeball, até retirar de lá uma esfera diferente e que chamou a atenção dos treinadores. A parte de cima era azulada, com dois detalhes vermelhos mais acima. Era uma Great Ball.

Jasmine lançou-a para cima, e quando o feixe de luz depositou-se no convés, a balsa inteira balançou. Uma criatura colossal apareceu na frente dos jovens. Um urso, alto e de pelagem marrom. Em sua barriga havia um circulo amarelo. Possuía garras capazes de retalhar os oponentes. Dentes que pareciam saltar para fora de sua boca. Um raro Ursaring.

    -Ursaring, o Pokémon urso. Costumam hibernar durante todo o inverno. Não perdoa aqueles que o incomodam, atacando até mesmo os inimigos que não são capazes de se defender. Usa suas garras para impor respeito nos oponentes. –Informava a PokeDex de Lúcia.

    -Meu Arceus! E eu pensando que essa Jasmine teria no máximo um Pidgey. –Sussurrou Julia.

    -Nunca julgue um treinador apenas pelas aparências. –Retrucou Helena, calando-se em seguida.

    -P- Pode começar... –Balbuciou Lúcia, surpresa em ver o adversário.

    -Ok! Pooh utilize Thrash! –Ordenou Jasmine.

   -Pooh? Que raios de nome é esse?

Com um rápido movimento de investida, o gigantesco Ursaring partiu para cima de Gengar. Desferia velozes e poderosos socos e até mesmo alguns chutes. Osíris desviava com agilidade, mas mesmo com toda sua experiência, foi acertado e jogado contra o chão. Aquilo acabou irritando o fantasma, que levantou num salto e lançou contra o urso uma poderosa Shadow Ball. A esfera sombria acertou-lhe no tórax, mas Ursaring continuou de pé, firme e forte.

    -Osíris vamos lá! Ataque agora utilizando Shadow Punch! –Comandou Lúcia.

    -Pooh desvie e depois Hammer Arm. –Ordenou à ruiva, com uma voz tremula. Não parecia ter muita confiança no que estava fazendo, mesmo sabendo que tinha uma verdadeira arma em mãos.

As garras obscuras de Osíris tornaram-se envoltas por um tipo de faíscas púrpuras. Em seguida, como num passe de mágica, dois punhos sombrios apareceram no ar. O ataque foi em direção de Ursaring, que por ser grande demais, acabou sendo acertado. Para tentar amenizar o impulso, colocou seus braços na frente. Mas o Shadow Punch não foi forte o suficiente para causar-lhe danos, apesar da força que fora lançado.

Ursaring reagiu bruscamente. Seu braço esquerdo começou a brilhar envolto por uma luz branca. Partiu para cima de Osíris, e em seguida desferiu um forte soco. O fantasma parecia não ter sofrido nada com aquele ataque, apesar de ter sido forte o suficiente para fazer a balsa tremer. Osíris saltou pronto para atacar mais vezes. Seu sorriso debochado era o suficiente para irritar Ursaring. O urso marrom deu um forte rugido, tentando intimidar Gengar. O fantasma sentiu medo, mas não demonstrou. Apenas riu ao ver o adversário tão estressado.
   
     -Pooh-chan utilize agora Scratch! -Ordenou a ruiva.

    -Ataques normais não funcionarão contra nós. -Balbuciou Lúcia.

O urso partia desferindo diversos arranhões em seu oponente, que desviava. Algumas vezes conseguiu acertar, mas nada muito efetivo. Gengar ainda revidava com algumas Shadow Balls, mesmo que não fossem surtir efeito algum. Era apenas por diversão. Osíris fazia questão de brincar com seus oponentes. Lúcia não protestava, deixava que o fantasma se "divertisse" um pouco. Mas só então ordenou-lhe:

     -Use outra vez o Shadow Punch.

      -Acabaremos com isso agora! Pooh Faint Attack!

Dessa vez Osíris estava em uma enrascada. Seus movimentos acabavam sendo limitados. O soco das sombras se quer arranhou a pelagem de Ursaring. Porém aqueles seriam os últimos movimentos da batalha. O Faint Attack por ser do tipo Dark, viria a causar danos em Gengar. O golpe foi bem sucedido, e após ele, Osíris permaneceu caído e fora de combate. Ursaring grunhiu alto, demonstrando felicidade em sua vitória. Gengar por sua vez, levantou-se ainda atordoado e machucado. Olhou para Lúcia, e desferiu um sorriso em seu rosto.

     -Está tudo bem amigo. Mostrou que é bem forte, e o mais importante: está me obedecendo. Obrigada por tudo. –Disse, retornando-o.

Seus companheiros elogiaram a batalha, vendo que agora trabalhava melhor com seu companheiro Gengar. Lúcia caminhou para perto de Jasmine, que jazia de pé. A cabeça baixa, enquanto que seu Ursaring, apelidado carinhosamente de Pooh, vangloriava-se pela vitória. Exibia seus músculos e rugia, causando medo na balsa.

     -Hey Jasmine, você é uma ótima treinadora. Aposto que já deve ter ganhado muitos contests. –Elogiou Lúcia. A moça ficou atônita ao ouvir os soluços da ruiva, que agora chorava. Todos se assustaram. Vê-la chorar sem motivo era algo estranho.

    -Semimasen! Eu ganhei de você Lúcia-san! Semimasen! –Lamentava ela aos prantos.

   -E- Espere... Está chorando por que venceu? Não faça isso... Está tudo certo Jasmine.

    -M- Mas eu machuquei o Gengar-kun, e... Semimasen!

A garotinha chorava sem motivo outra vez, provavelmente arrependida de ver Lúcia perder. Ryan coçava a cabeça confuso enquanto os outros apenas observavam a situação de tamanha estranheza. O coordenador agachou-se na altura de Jasmine, erguendo seu rosto para que se encarassem.

     -Por que chorar? Não é preciso ficar pedindo tantas desculpas de uma vez. Você não causa mal algum. Talvez sua inocência a obrigue a fazer isso. Jasmine, você não é um estorvo! Tem muita capacidade, e nesse contest quero muito enfrentá-la. –Disse Ryan. Suas palavras pareciam encorajar a pequena chorona.

     -Ryan-kun... Arigatow-me! –Balbuciou a ruiva, abraçando o jovem. –Sabia que você parece meu irmão mais velho? Posso te chamar de irmãozão?

    -C- Claro... –Concordou sem graça.

A garotinha ruiva retornou seu gigantesco Ursaring e abraçou o braço de Ryan. As coisas finalmente começaram a melhorar. O resto da manhã seria tranqüilo, isso é se Jasmine ou outro alguém não causasse mais transtornos. Conhecer a garota acabou proporcionando aos jovens apenas mais momentos de estranheza. Ao longe já podiam ser vistos majestosos prédios se erguendo, o que anunciava a chega de uma das três maiores cidades das Ilhas Laranja...

O dia trazia muitas surpresas para nossos aventureiros. Lúcia agora possuía mais um membro em sua equipe, e esse só a tornava mais estranha e variada. Psyduck ainda mostraria ser um grande guerreiro. E a pequena Jasmine? Mesmo sendo tão poderosa, conseguirá mostrar do que é capaz? Tudo isso, está bem próximo de se revelar...

...
Vocabulário
Semimasen: seria uma forma de pedir desculpas, em Japonês é bastante usado.
Kawaii: seria algo referente a fofo, bonitinho. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Notas do autor- 017


Yo mina-san! Ai, ai. Depois de passar minha manhã de terça-feira no hospital, cá estou para postar as notas! Bem, antes de qualquer coisa peço desculpas por não ter postado o capítulo 17 no sábado. Mas eu estava com uns problemas de saúde, então já viu. Precisei ir ao Hospital faze ruma maldita inalação, e no domingo, dia das mães, aproveitei ao máximo para ficar perto da minha querida mãe. Espero que entendam. Mas o importante é que consegui postar! Vamos falar um pouquinho sobre esse capítulo...

Eu particularmente gostei. Sabemos que nos capítulos anteriores, o Gengar mostrou-se um pouco desobediente e solitário até. Eu não deixaria um espaço de perguntas do porque disso. No capítulo 17, mostrei sobre seu passado, ou melhor, sobre seu antigo treinador. Agora acho que está explicado porque o Gengar foi tão desobediente com a Lúcia. Tem um nome, que apareceu no capítulo, que gostaria que lembrassem: Hayley. Essa não é a última vez que essa moça irá aparecer na fic... Aguardem, apenas.

Aaah, e uma coisa me deixou bem feliz esses últimos dias! Percebi que ganhei novos leitores. Cara, isso me deixou muito contente mesmo. Não sabem o quão importante isso foi para mim! Sejam bem-vindos pessoal. Espero que continuem presentes no blog. Bem, acho que por enquanto é só. Até o próximo capítulo. See ya.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Capítulo 017- De volta à casa abandonada!


Os jovens passaram o resto do dia conversando e conhecendo melhor a pequena Sunburst Town. Visitaram a loja mais famosa dali, onde esculturas de cristal eram vendidas. Aproveitaram para dar uma rápida passada no Poke Mart, onde compraram alguns suprimentos extras.  Marcos ainda auxiliou Ryan na compra de alguns itens especiais de contest, já que agora as competições teriam dança e moda. Lúcia comprava algumas poções, e Julia acessórios para seu Ledyba. Helena por sua vez era a mais séria, e ficou calada quase todo tempo.

Quando a tarde chegava ao fim, encaminharam-se para o Centro Pokémon. Aquele era um ótimo momento para os moradores da pequena Sunburst Town. Os trabalhadores locais voltavam para casa exaustos por um dia tão agitado de trabalho. Alguns adolescentes caminhavam calmamente pela praça local. Os cinco aventureiros estavam realmente exaustos.

Passaram um bom tempo andando e o treinamento conturbado acabou rendendo-lhes um bocado de transtornos. Precisavam comer alguma coisa e dormiriam no Centro Pokémon naquela mesma noite. Além do mais, precisavam cuidar de seus monstrinhos. O resultado do pouco treinamento acabou sendo preocupante. A “desobediência” de Gengar deixava Lúcia alerta. E Ryan sentia-se inseguro quanto à participação no próximo contest.

Seus Pokémons podiam ser belos e tinham talento, mas ainda precisavam ser melhor lapidados. Tinham poucos movimentos, os quais ainda rendiam combinações bastante previsíveis. Mesmo assim, acabaria participando. Ganhando ou perdendo iria adentrar a competição. Já havia conseguido conquistar a primeira fita, e talvez conseguisse as próximas.

     -Eu preciso acreditar! Se quero provar a eles que tenho capacidade, ganharei todos os contests que participar! –Sussurrava Ryan para si mesmo.

     -O que foi Ryan? Me parece preocupado com alguma coisa. –Perguntou Lúcia interessada.

     -Está tudo certo. Não precisa se preocupar. É apenas nervosismo. –Respondeu com um sorriso apagado.

     -Te conheço... Sei que há algo errado. Pode me contar.

O rapaz parou abruptamente, assim como fez a moça. Os outros três não perceberam a parada e continuaram a caminho do Centro Pokémon. Ryan parecia perdido em devaneios, lembrando-se do passado. Lúcia tocou de leve em seu ombro, trazendo-o de volta a realidade.

    -É que eu não estou muito confiante quanto a minha próxima competição. –Desabafou o rapaz.

    -Por que? Você tem se esforçado bastante, aposto que vai obter um ótimo resultado. Em Valencia você provou ser um coordenador muito capaz. Além do mais venceu o contest de abertura. –Sorriu à jovem.

     -Eu sei. É que ainda falta muito para que eu me torne um coordenador talentoso. Quero muito fortalecer-me. E principalmente: fazer de meus Pokémons os mais belos e talentosos. –Continuou tristonho. –Desejo muito alcançar a perfeição em minhas técnicas.

    -Para se alcançar a perfeição, primeiro é preciso passar por incontáveis sofrimentos. Acredite em sim mesmo e verá os resultados. Fé Ryan, fé. –Sorriu a garota enquanto partia novamente.

As palavras pareciam ecoar na mente do jovem. Foi para dentro do Centro mais pensativo do que antes. Comeu em silencio na companhia de seus amigos, que conversavam de modo descontraído e animado. Até mesmo o clima desagradável entre Lúcia e Helena. Naquela hora, o Centro Pokémon estava quase vazio. Muitos treinadores já haviam deixado a ilha, pois ali não havia muitos atrativos.

Os cinco terminaram de comer no refeitório, e logo após reservaram os quartos para passar a noite. As garotas ficariam dessa vez em quartos separados, para evitar qualquer tipo de briga ou desentendimento. Ryan e Marcos ficariam no mesmo aposento. Desse modo, ainda aproveitariam para pensar melhor sobre suas apresentações. Os rapazes mostraram-se realmente decididos.

     -Boa- noite pessoal. Durmam na paz de Arceus e cuidado com Darkrai. –Disse Julia.

     -Desejo o mesmo a você minha querida. –Respondeu Marcos educado.

     -Oun amor! Lembre-se de que estou no quarto ao lado. –Finalizou ela, imitando em seguida um ronronar.

O jovem corou e entrou no quarto. Lúcia apressou-se e fez o mesmo. O quarto era dos mais simples. Havia apenas uma cama de solteiro, uma cômoda pequena, uma geladeira, um banheiro e uma TV. Lúcia depositou sua bagagem em cima da cama, e retirou seu chapéu de palha. Jogou-se no colchão macio, completamente exausta. Olhava para o teto hipnotizada, quase cochilando.

Mas de repente uma súbita idéia lhe veio à cabeça. Nem mesmo ela acreditava no que havia pensado. Começou a fuçar em sua mochila desorganizada, em busca de algo que não sabia definir se era bom ou ruim. Finalmente havia encontrado. Ergueu-o, deixando de frente com a luz. Emanava um enigmático brilho prateado. O selo que antes tinha sumido agora parecia novamente intacto. Nele prevaleciam três cores: azul, amarelo e alaranjado.

     -O que estou pensando? Da última vez que abri isso, acabei desmaiando.

Jogou o pergaminho contra a parede, e o mesmo caiu no chão em seguida. Foi até o banheiro, onde tomou um relaxante banho quente. Lá mesmo se secou, escovou os dentes e vestiu um confortável Kigurumi que lembrava um Pidgey. Muitas de suas roupas ainda estavam na lavanderia, por isso optou por um de seus diversos “pijamas”. Quando voltou para sua cama, percebeu que sua bolsa tinha sido bagunçada e a porta encontrava-se aberta. Assustada e sem saber o que tinha acontecido, procurou por suas Pokeballs e pelo ovo Pokémon.

    -Pichu, confere. Primeape confere... Que estranho, só o Gengar não está aqui.

Lúcia saiu do quarto as pressas, parando no corredor completamente vazio. A única coisa que viu foi Gengar, que flutuava com certa velocidade. Em seguida, o fantasma atravessou a parede. Não pensou duas vezes e começou a seguir o Pokémon. Enquanto dobrava o corredor, pôde ouvir o barulho de uma porta se abrir, mas se quer olhou para trás. Era complicado acompanhar os movimentos de Gengar.
O Pokémon fantasma atravessava qualquer obstáculo sem dificuldade. Seu corpo gasoso era capaz de se desmaterializar rapidamente, para o azar de sua treinadora. Num rápido movimento, Gengar acabou despistando a garota. Lúcia supunha que o Pokémon teria ido para fora do Centro, e por isso correu o mais depressa possível para o lado de fora. A enfermeira Joy –que lia uma revista no saguão principal- chegou a assustar-se ao ver a treinadora vestida de Pidgey correndo por ali.

Do lado de fora, Lúcia viu Gengar de relance distanciando-se depressa da cidade. Mas ela não deixaria seu companheiro fugir, e novamente começou a segui-lo. Se quer lembrou-se que usava um Kigurumi chamativo e levava consigo apenas sua coragem. Qualquer desavisado que a visse de longe, pensaria estar vendo um Pidgey gigante.

A cada passo, a moça afastava-se mais dos limites da Sunburst Town e consequentemente era engolida pela floresta medonha. Até aquele momento, Lúcia não fazia idéia do que levara Gengar a fugir. Mas, só então –depois de muito andar- deparou-se com uma antiga e rústica construção. Congelou ao ficar frente a frente com a casa abandonada da noite passada. Mesmo sabendo que Gengar era o fantasma que assombrava o lugar, tinha um pouco de medo ainda. O fantasma olhou para os lados e adentrou a construção, desaparecendo rapidamente nas sombras.

     -Se vim até aqui, melhor entrar lá. Não vou perder meu Gengar. –Sussurrou ela para si mesma.

Em passos lentos e medrosos, Lúcia ia de encontro com a entrada da casa. A porta de antes ainda estava caída, e o interior obscurecido. Alguns passos a mais e estava dentro. Tateou a parede do lado direito, para procurar o interruptor e acender as luzes. Tocou-o, porém nada aconteceu. Só então se lembrou que na noite anterior as lâmpadas haviam queimado.

     -Legal. Agora vou andar como uma cega no meio de um tiroteio.

 Começou a andar sem ver nada. Seus braços estavam esticados e as mãos apalpavam o nada. A única coisa que sabia no momento era que tinha entrado numa tremenda roubada. Sentiu seu pé trombar contra alguma coisa, e agachou-se para ver o que era. Conseguiu descobrir que tratava-se da escadaria que dava acesso ao segundo andar. Começou a subir, tomando extremo cuidado para não cair ou se machucar novamente. Quando seus pés tocavam os degraus, um rangido ecoava na casa e espanta vários Murkrows que jaziam no teto.

O mesmo corredor da noite passada estava sendo iluminado pelo luar. Os quadros nas paredes pareciam ganhar um brilho de vida. Lúcia passou a observar melhor as imagens, estudando cada uma. Em todas elas, um jovem sorridente aparecia ao lado de alguns Pokémons fantasmas. Inclusive o próprio Gengar, que naquelas imagens mostrava-se mais simpático. A moça mergulhou em sua imaginação, pensando em quem seria aquele rapaz. Tão feliz tão simpático e tão cheio de vida.

Só voltou a realidade quando ouviu o barulho de uma porta se abrindo. Fixou seu olhar no fim do corredor, percebendo então que ali havia uma porta. Totalmente branca com uma maçaneta dourada. A treinadora aproximou-se, num impulso de pura curiosidade. Um arrepio estremeceu seu corpo todo. Tocou a maçaneta que estava muito fria. Para sua sorte, não tinha sido trancada.

Lúcia empurrou de uma vez a porta. Surpreendeu-se ao ver o que tinha atrás dela. Um quarto muito bem conservado, talvez a única coisa bem cuidada naquela casa velha. Paredes pintadas com muito capricho, de cor creme. Um enorme tapete de cor púrpura cobria boa parte do piso de madeira envernizado. Uma cama de casal jazia no centro do quarto. Lençóis azuis e aparentemente limpos repousavam sobre a cama. Um criado mudo ao lado da ao lado da cama com alguns objetos sobre ele, inclusive um belo e polido troféu. Uma estante gigantesca estava encostada na parede. Nela havia diversos livros.

Mas apesar de todo aquele luxo, uma coisa chamou atenção da garota. Próximo a janela, havia um tipo de altar. Muitas flores o rodeavam, algumas já secas e outras ainda em boas condições. Em cima do altar, jazia uma moldura com uma foto de um rapaz alegre de cabelos negros. O mesmo das imagens retratadas no corredor.

     -Esse lugar está muito bem conservado... Será que alguém cuida desse quarto?

Curiosa, Lúcia começou a mexer nos livros. Esqueceu-se completamente de Gengar. A garota via títulos interessantes ali, alguns davam vontade de ler. Mas um em especial deixou-a curiosa. “Diário” se lia na capa.

    -Não tem problema se eu der uma olhadinha, tem? –Balbuciou como se esperasse que alguém respondesse.

Quando ia pegar o diário, uma esfera sombria foi desferida em sua direção. Para não ser atingida, desviou para o lado, com um reflexo incrível. Aflita, olhou ao redor, descobrindo que foi Gengar que tentava acertá-la. Ficou pasma. O fantasma parecia não apreciar a presença de outra criatura naquele lugar. Parecia nem perceber que aquela era sua atual treinadora. Ela se arriscou, tirando o capuz do Kigurumi Pidgey. Gengar arregalou seus orbes vermelhos e baixou a guarda. Lúcia sorriu, ainda assustada com o ataque surpresa.

      -Sou eu, sua treinadora... A loirinha. Não precisa se preocupar. –Sorriu ela, tentando acalmar o fantasma. –Será que posso dar uma lida nisso?

Gengar parecia inseguro com a idéia de alguém ler aquele diário, mas acabou assentindo. Acreditava que a moça não tinha más intenções. A loira pegou o diário, sentou-se no tapete e abriu. O fantasma ao seu lado ficou agitado ao observar aquilo. Lúcia passava os olhos pelas primeiras páginas, que só continham alguns desenhos feitos a mão. Retratavam belos Pokémons fantasmas. Numa dessas folhas, ela leu: “Esse diário pertence a Johnny Howorts, só leia se tiver a autorização necessário. Aqui encontrará relatos pessoais de minha vida”.

A garota continuou a folhear o diário, até encontrar uma página com algumas coisas escritas. Na companhia de Gengar, pôs-se a ler:

Pode parecer um pouco estranho para um garoto escrever em um diário, mas precisava relatar tudo isso que está acontecendo comigo. Hoje foi meu aniversário de 16 anos. Como sempre, passaria essa data no hospital. Papai e mamãe me pareciam cada vez mais preocupados... Achei que esse seria mais um simples aniversário, com direito a um bolo e alguns remédios. Convenhamos, isso é tedioso demais! Porém recebi duas noticias surpreendentes! A primeira foi saber que finalmente estou reagindo ao tratamento, e minha doença já parece ceder. A segunda é que ganhei um novo e eterno (em todos os sentidos) amigo. Um Gastly, que apelidei carinhosamente de Osíris. Ele é realmente divertido e adora batalhas. Meu pai nunca me fez tão feliz. Agora que vou receber alta em uma semana, poderei finalmente viajar pelas Ilhas Laranja! Yeah baby”.

Lúcia parou por um instante. Olhou de soslaio para Gengar, que ouvia a tudo atentamente. O fantasma tinha –naquele momento- um semblante triste e abatido, o que não era nada comum. A garota sentiu um nó na garganta. Só de pensar na possibilidade de ser imortal (assim como Gengar) e saber que as pessoas que ama um dia partirão, era sufocante. Gengar tocou nas páginas, passando o diário até certa parte.

Osíris é um cabeça dura! Começava a pensar que esse carinha nunca vai seguir minhas ordens. Ele é um ótimo companheiro, mas só quer saber de brincar... Quando entramos numa batalha ele apenas sorri e cai na gargalhada, gozando com a cara dos nossos adversários. Sinto até um pouco de vergonha nessas horas... Porém houve uma reviravolta e conseguimos nos entender. Passamos por um baita sufoco (o qual prefiro não relembrar), e superamos as diferenças. Nos tornamos mais unidos, e agora vamos vencer qualquer batalha juntos, como verdadeiros amigos!”

“Venci! Venci! Venci! Minha primeira batalha de ginásio oficial foi um arraso! Cissy me deu um trabalhão com seus golpes aquáticos, mas eu consegui. Mais uma vez o Osíris precisou tomar frente e acabar com o oponente fortão. Misdreavus e Murkrow (sim, eu curto Pokémons Dark também) estão crescendo muito. Os dois mostram-se bem poderosos quando necessário, e isso me deixa feliz! Minha equipe é a melhor... Quer dizer, até o momento em que provarem o contrário”. [...]

“Sabe... não sei se consigo definir o que seria um rival, mas... Rivais são muito arrogantes! Por que eles tem que se achar melhor do que nós mesmos? Tá, deixa eu explicar. Ontem eu passava pela Ilha Valencia, quando um cara esbarrou em mim. Eu pedi desculpas, e ele me tratou como se eu fosse o culpado. Daí eu revoltei geral! Comecei um bate boca com ele, e depois batalhamos. Admito, quase perdi... Tudo bem, admito: eu perdi! Osíris e meus outros parceiros são fortes, mas aquele cara deu um novo significado a palavra foda. Daqui para frente treinarei mais e mais, até poder vencê-lo”. [...]

Até agora minha aventura vem sendo fantástica! Conheci muitas pessoas novas... E agora tenho uma garota no meu pé! Conheci ela enquanto treinava, e acabamos formando uma dupla. Mas essa tal de Hayley é muito irritante! Cabeça dura! Ela quer ser a senhora mandante. Nunca me escuta, mesmo que eu esteja certo. Acha que é a dona da verdade. Mas admito... Hayley até que é bonitinha... Argh! O que estou pensando? Nunca nos daremos bem... Até porque, no final acabaremos nos enfrentando na Liga Laranja. Já mencionei que essa abusada acha que será uma treinadora formidável? Tá bom que uma garota que fugiu de um orfanato conseguiria...”

Estou um pouco preocupado agora. Andei me sentindo mal esses últimos dias... Talvez ainda tenha resquícios da minha doença em mim. Osíris e Hayley cuidam bem de mim, mas acho que não adianta muito. Tenho todas as minhas insígnias, Pokémons ótimos... Tudo que preciso para vencer a Liga Laranja. Melhor eu esperar um tempo, até que me sinta melhor. Contatar meus pais não me parece boa idéia, até porque eles me fariam voltar pro hospital no mesmo instante que soubessem do meu “mal estar”. Vou esperar. Tenho quase certeza que tudo isso passará”.

E novamente fui internado. Minha doença agora retornou, mais forte do que antes. Sei que essa porcaria é incurável, e minhas esperanças de ter sido milagrosamente curado por Arceus se esvaíram. Tenho apenas mais algumas semanas de vida. Mas não ficarei deitado, comendo comida de hospital, chorando e me despedindo dos parentes e amigos. Vou aproveitar o que me resta. Ninguém curtiu muito essa minha idéia, nem a tonta da Hayley que desistiu da Liga só por minha causa. Disse que tentará ano que vem... Baka. Sabe de uma coisa? Que se dane! Desde me conheço por gente, vivo num hospital, entupido de remédios. Já chega! A primeira coisa que farei é uma baita loucura... Loucura de amor! Hayley... Vou dizer o que sinto verdadeiramente por ela! Realmente, os opostos se atraíram”.

A vida é realmente curta quando se está com um pé na cova. Tudo passou realmente rápido nessas ultimas semanas. Agora repouso em casa, só esperando para que Giratina leve minha alma até o desconhecido. Mal estou conseguindo escrever... Parece que não como há dias! Todos aqui estão em clima de morte, e olha que ainda nem parti! Fico triste em saber que deixarei tudo aquilo que amo para trás: meus pais, meus poucos amigos, meus Pokémons, o Osíris bobalhão e a Hayley, o grande amor de minha vida. Meu coração nunca esteve tão dilacerado. Mas por outro lado até que estou feliz, já que realizei tantos sonhos em poucos dias: fiz uma tatuagem, fui a um show de Rock da minha banda favorita, pintei meu quarto do jeito que sempre imaginei, batalhei contra meu rival abominável e ganhei só usando o Osíris, e o mais incrível: casei-me aos 16 anos. Sonhos bobos, mas que fizeram dos meus últimos dias os melhores de minha vida! Agora sinto que posso partir, conformado com o destino...”

Lúcia parou ao ver que não havia nada mais a ser lido. Só páginas em branco dali para frente. Uma pequena fotografia caiu de dentro do diário. Estava um pouco desbotada, mas ainda assim se via um belo casal na imagem. Uma moça de cabelos róseos com um sorriso contagiante no rosto e o rapaz de cabelos escuros, dono do diário. Gengar fixou sua atenção na imagem, pegando-a em seguida.

    -É triste saber que alguém que tanto lhe amou partiu... Você gostava muito do seu primeiro treinador não é? –Indagou Lúcia num sussurro.

    -Gengar... –Respondeu tristemente. O fantasma caminhou para perto do criado mudo, retirando deste outra fotografia. Esta mostrando-o feliz ao lado de seu treinador querido.

Lúcia parecia refletir naquele momento. Agora entendia o porque de Gengar não ter seguido seus comandos mais cedo. Era difícil para o fantasma acostumar-se com a idéia de outro treinador dando-lhe ordens. Estava acostumado com o rapaz chamado Johnny, o qual fora seu mestre por um bom tempo. Ao lado deste, conquistou suas evoluções e entendeu o verdadeiro significado da amizade. Deixar para trás aqueles que amamos para seguir em frente com outros era com toda certeza uma tarefa difícil.

   -Ninguém substitui aqueles que amamos em nossos corações, só ocupam um lugar que falta ser preenchido. –Disse Lúcia, se levantando lentamente. –Quer mesmo se prender ao passado e esquecer que pode viver um futuro extraordinário?

A moça fez um sinal, estendendo a mão aberta. Gengar que ouvia cada palavra atento parecia pensar em tudo que já vivera, e tudo que podia viver. Mesmo que amasse eternamente seu treinador, não ficaria parado, apenas esperando um reencontro no além. O espaço para Johnny em seu coração continuaria aberto a todas as lembranças. Os bons e os maus momentos seriam lembrados por Osíris.

O fantasma ergueu sua face, e estendeu a mão para Lúcia. Num gesto de parceria os dois sorriram. A treinadora guardou o diário em seu devido lugar, do mesmo modo que Gengar ainda organizou alguns objetos em cima do criado mudo. Após isso, juntos, treinadora e Pokémon, saíram dali. Um novo dia logo viria e com ele, o inicio de um novo laço de amizade.

Muitas vezes é difícil deixar aquilo que mais amamos para trás. Às vezes nos agarramos ao passado, e esquecemos de viver o presente e pensar no futuro. Osíris agora tem a chance de recomeçar ao lado de Lúcia. Mesmo que não pudesse esquecer aquele que tanto amou, seguiria a caminho de um futuro brilhante. O que esse futuro aguarda? Só o tempo diria...

sábado, 5 de maio de 2012

Notas do autor- 016


Yo Mina-san. Como estou feliz em poder ter postado mais um capítulo. Demorei um pouco para terminar, mas felizmente postei. Estou meio doente, uma maldita gripe misturada com outros problemas. Juro, quando fico doente me transformo num trapo. Mas isso não importa, falemos do capítulo.

Não tivemos nada de muito "UAU". Reencontramos os rivais dos protagonistas, Marcos e Helena. Esses dois ficarão um tempinho na companhia dos nossos jovens. Como sempre, Lúcia e Helena não se dão bem. Como puderam ver, o capítulo foi mais voltado para um minimo treinamento. O Gengar já se mostra desobediente, e houve a captura da Misdreavus (que não foi lá essas coisas, admito). Digamos que o capítulo 17 mostrará um pouco do passado do Gengar. Sobre seu antigo treinador e umas coisinhas a mais. O contest do Ryan está se aproximando... Façam suas apostas! Teremos algumas pequenas surpresas, então se preparem. Tem algo que está se aproximando cada vez mais... O Festival Trovitopolis. Gente, esse vai ser o melhor Arco de toda a temporada! Acreditem, muita coisa vai acontecer e a história vai tomar um rumo super diferente. Só esperem para ver. Acho que era isso. Não se esqueçam de votar na enquete, e principalmente comentar. See ya.

Edit: Trainer Cards dos protagonistas foram atualizados. 
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